sábado, 17 de abril de 2010

MEMÓRIAScontinuação

...... Depois comecei a desxcer a avenida em direcção ao Rossio e já próximo, encontrei um cafá aberto e entrei. Perguntei ao empregao qual o preco do galão e res-
pondeu-me que era dez escudos. E se for´só oito escudos retorqui. O homem mirou-me de alto a baixo e começou a preparar o galão.Deve ter reparado na barba por fazer,nos olhos remelados, na roupa amarotada e algo suja de roçar nas escadas. Fui
à casa de banho, aliveei a bexiga, lavei a cara e as mãos. Daí a pouco com o calor dogalão a inundar-me o estômago, estava pronto para mais um dia.

Hoje posso afirmar com toda a certeza que no tempo em que vivi esta situação e que forsm práticamente três meses, chorei mais lágrimas, do que a água que tinha bebido até então. Não foram só lágrimas de dor, foram também de revolta, de fúria, de saudade, de melancolia e de solidão.

Há fases na nossa vida, que parecem eternas. Aquela dor no coração e na alma, que não sara, o pontapé que levamos e que nos magoa, a ferida interior que parece nunca mais cicatrizar, a dor e a mágoa que as pessoas nos fazem. Pois é, passamos por fases de dores e parece que nunca mais voltaremos a sorrir, mas o pior é quando olhamos para o lado e vemos pessoas felizes, e então parece que o nosso destino é viver, penando e chorando.Sei que tudo isto depende da resistência psicologica de cada um,da forma como se encara a vida, da nossa fé em Deus, mas tudo isso tem os seus limites. Sabia que estava a atravessar uma fase menos boa e tinha que acordar do sonho ruim e perceber o valor do recomeço. Sózinho, tive que descobrir que o meu sofrimento, era o tempo que levaria a ter verginha nan cra, e erguer-me, porque nada teria efeito, se interiormente nnão tomasse a decisão que tudo i~ria ser diferente e que era tão só uma questão de tempo.

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