domingo, 28 de fevereiro de 2010
NAMÍBIA
O falecimento do meu filho Eduardo Jorge
.... Não vou escrever como me senti, ao receber tão dolorosa e triste notícia, não vou
escrever sobre o acidente que estupidamente ceifou a sua vida, e não vou de forma alguma
culpabilizar ninguém. Tudo o que sofri e senti, não pode ser, aferido ou avaliado por quem quer que seja, e portanto será sempre algo que só eu posso fazer e assim permanecerá no meu coração e no meu consciente para sempre.Não deveria escrever sobre este assunto. Deveria, por respeito, silenciar-me, mas não o perdi para a violência, para uma doença, falta de lucidez, ou ainda para a negligência.O fortuito no caso da perda do meu querido filho,
afectou-me da maneira mais terrível, e colocou diante de todos nós, amigos, conhecidos e familiares, uma situação ainda mais inexplicável:ele, num dado momento, fechou os olhos e deixou de viver.
O tempo passa e com ele as coisas também passam, outras permanecem, mas nunca da mesma forma.O tempo passa, a vida muda,tudo muda.O lugar já não é o mesmo, as pessoas não são
as mesmas, os sentimentos não são iguais, a situação é outra, pois esse é afinal, o propósito da vida.
Aceitar as circunstâncias da vida que não podemos mudar, traz enorma alívio e a paz de espírito que tanto se procura. JESUS, ajuda-nos sempre a encontrar um novo caminho, pois esse poder estará sempre connosco,e quando algo está mal nas nossas vidas, podemos sempre lançar mão dessa força maior para nos ajudar.O seu poder superior está tão perto de nós, quanto a nossa respiração e portanto, ter consciêncvia da sua presença, fortalece-nos a cada
momento.
Num gesto amigo e carinhoso, o meu filho mais velho, levou-me para a´sua casa na Namíbia
na tentativa de minorar um pouco o meu sofrimento. Ao entardecer, sentava-me num cadeirão
junto à piscina, a olhar o céu acima de Windhoek, e conseguia sentir toda aquela terra rude,
derramando,numa única, inacreditável vastidão, até ao horizonte e todas as pessoas a
sonharem naquela imensidão. Ali, sabia que tal como eu, muita gente, chorava na terra onde
nos deixam chorar.
A estrela do entardecer ia esmorecendo, e irradiava a sua pálida cintilância sobre a terra, reluzindo pela última vez, antes da chegada completa da noite. E era aí e nessa hora que
mais sentia saudades, tantas que ninguém pode imaginar. Submerso em pensamentos, pensava em nada, nesse nada que era a minha vida, e então sinto saudades, do que era a minha vida, um
nada diferente, desta que vivo agora, e pergunto porque tantas asudades assim: de tudo e de nada, francamente não sei, mas a verdade eé que vivo assim.
.... Não vou escrever como me senti, ao receber tão dolorosa e triste notícia, não vou
escrever sobre o acidente que estupidamente ceifou a sua vida, e não vou de forma alguma
culpabilizar ninguém. Tudo o que sofri e senti, não pode ser, aferido ou avaliado por quem quer que seja, e portanto será sempre algo que só eu posso fazer e assim permanecerá no meu coração e no meu consciente para sempre.Não deveria escrever sobre este assunto. Deveria, por respeito, silenciar-me, mas não o perdi para a violência, para uma doença, falta de lucidez, ou ainda para a negligência.O fortuito no caso da perda do meu querido filho,
afectou-me da maneira mais terrível, e colocou diante de todos nós, amigos, conhecidos e familiares, uma situação ainda mais inexplicável:ele, num dado momento, fechou os olhos e deixou de viver.
O tempo passa e com ele as coisas também passam, outras permanecem, mas nunca da mesma forma.O tempo passa, a vida muda,tudo muda.O lugar já não é o mesmo, as pessoas não são
as mesmas, os sentimentos não são iguais, a situação é outra, pois esse é afinal, o propósito da vida.
Aceitar as circunstâncias da vida que não podemos mudar, traz enorma alívio e a paz de espírito que tanto se procura. JESUS, ajuda-nos sempre a encontrar um novo caminho, pois esse poder estará sempre connosco,e quando algo está mal nas nossas vidas, podemos sempre lançar mão dessa força maior para nos ajudar.O seu poder superior está tão perto de nós, quanto a nossa respiração e portanto, ter consciêncvia da sua presença, fortalece-nos a cada
momento.
Num gesto amigo e carinhoso, o meu filho mais velho, levou-me para a´sua casa na Namíbia
na tentativa de minorar um pouco o meu sofrimento. Ao entardecer, sentava-me num cadeirão
junto à piscina, a olhar o céu acima de Windhoek, e conseguia sentir toda aquela terra rude,
derramando,numa única, inacreditável vastidão, até ao horizonte e todas as pessoas a
sonharem naquela imensidão. Ali, sabia que tal como eu, muita gente, chorava na terra onde
nos deixam chorar.
A estrela do entardecer ia esmorecendo, e irradiava a sua pálida cintilância sobre a terra, reluzindo pela última vez, antes da chegada completa da noite. E era aí e nessa hora que
mais sentia saudades, tantas que ninguém pode imaginar. Submerso em pensamentos, pensava em nada, nesse nada que era a minha vida, e então sinto saudades, do que era a minha vida, um
nada diferente, desta que vivo agora, e pergunto porque tantas asudades assim: de tudo e de nada, francamente não sei, mas a verdade eé que vivo assim.
ALOUCURADOMUNDO
A loucura do Mundo (continuação)
...... Não precisam contracenar, vestir sedas e rendas para ser feliz.Existem aí pessoas de verdade, que não fazem cenas nem poses.Existem aí, autênticos seres humanos, que erram, acertam, aprendem, e vivem sem medo de ser o que realmente são. Enquanto uns se enfeitam
por fora, atribuindo a si próprios uma capa de futilidade, sem essência alguma, com o intuito apenas de criar uma outra vida, existem aqueles que não passam despercebidos, que não se importam com o que os outros podem vir a pensar.Serãso estes, que serão lembrados para sempre, pois são os que farão a diferença.Os outros, limitar-se-ão a imitar a plateia,apenas para servir de diversão.
Pode ser que no palco, essa máscara nunca caia, pode ser que os artistas possam ser perfeitos, felizes e sorridentes para sempre, mas mesmo assim acredito, que um dia se
fará luz, e en´tão o imenso vazio presente nesses pobres surgirá.
e EU?. ESTAREI NA PLATEIA.
...... Não precisam contracenar, vestir sedas e rendas para ser feliz.Existem aí pessoas de verdade, que não fazem cenas nem poses.Existem aí, autênticos seres humanos, que erram, acertam, aprendem, e vivem sem medo de ser o que realmente são. Enquanto uns se enfeitam
por fora, atribuindo a si próprios uma capa de futilidade, sem essência alguma, com o intuito apenas de criar uma outra vida, existem aqueles que não passam despercebidos, que não se importam com o que os outros podem vir a pensar.Serãso estes, que serão lembrados para sempre, pois são os que farão a diferença.Os outros, limitar-se-ão a imitar a plateia,apenas para servir de diversão.
Pode ser que no palco, essa máscara nunca caia, pode ser que os artistas possam ser perfeitos, felizes e sorridentes para sempre, mas mesmo assim acredito, que um dia se
fará luz, e en´tão o imenso vazio presente nesses pobres surgirá.
e EU?. ESTAREI NA PLATEIA.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
ALOUCURADOMUNDO
A loucura do Mundo invade as nossas almas e torna-nos insanos por estar neste palco, e quando adultos paramos para analisar o que nele se passa, choramos. Choramos por ver tanta falta de amor, tanta gente indecente, que só pensa com a mente e nunca com o coração.Mas também neste palco , remos motivos para sorrir, pois encontramos pessoas, que lutam contra
a tradição, e dão uma nova razão à vida, pois esquecem a mente e abrem o coração.
Crescemos num mundo de amor que as nossas adoradas mães plantaram nonosso caminho,ignorando
que as suas lágrimas, vaticinavam desilusões, nos sonhos que iamos edificando.
A verdade ´e que o Mundo é como uma grande peça de teatro, onde cada um escolhe o seu papel.
È verdade, há pessoas que não vivem,simplesmente actuam por aqui.Entram no camarim, vestem a sua fantasia, escondendo-se atrás de plumas e máscaras. Sobem ao palco e ali permanecem com um sorriso estampado no rosto, fazendo as suas ~melhores poses, ou então posam com cara de "santinhos".Entre esses há ainda aqueles que inventam a sua própria máscara,mas pior ainda, aqueles que só copiam.Mas no teatro não é só palco. Existe a plateia, que vibra, que chora, ri e se emociona.... (continua)
a tradição, e dão uma nova razão à vida, pois esquecem a mente e abrem o coração.
Crescemos num mundo de amor que as nossas adoradas mães plantaram nonosso caminho,ignorando
que as suas lágrimas, vaticinavam desilusões, nos sonhos que iamos edificando.
A verdade ´e que o Mundo é como uma grande peça de teatro, onde cada um escolhe o seu papel.
È verdade, há pessoas que não vivem,simplesmente actuam por aqui.Entram no camarim, vestem a sua fantasia, escondendo-se atrás de plumas e máscaras. Sobem ao palco e ali permanecem com um sorriso estampado no rosto, fazendo as suas ~melhores poses, ou então posam com cara de "santinhos".Entre esses há ainda aqueles que inventam a sua própria máscara,mas pior ainda, aqueles que só copiam.Mas no teatro não é só palco. Existe a plateia, que vibra, que chora, ri e se emociona.... (continua)
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010
NO DIA EM QUE...continuação
Percebo agora muito melhor a importância de cada momento, sentindo melhor as pessoas e as coisas que são realmente importantes, saboreando cada conquista, cada realização.Corrigi determinadas atitudes, que entendi não fazerem bem, e outras que me fazem falta, o que obviamente, não implicou a mudança da minha essência, mas que me ajudou a ampliar ainda mais a visão do Mundo.
Planos nãp me faltam, os sonhos aparecem em cada momento, os projectos são vistos, revistos e realizados, mas sem nunca esquecer, que o mais importante en cada um deles, é o crescimento humano que me proporcionam, o quanto me aproximam mais das pessoas.
Hoje o que mais quero, é continuar a sentir a vida de forma serena, simples, natural e ao mesmo tempo desafiadora, motivadora e repleta de oprtunidades novas. Quero ter a força para transpor obstáculos e seguir pelo caminho que escolhi, com a certeza de que ele levar-me-á
a sentir as emoções que desejo, e a realizar os sonhos que ainda pretendo realizar.
HOJE EU QUERO, SIMPLESMENTE VIVER.
Percebo agora muito melhor a importância de cada momento, sentindo melhor as pessoas e as coisas que são realmente importantes, saboreando cada conquista, cada realização.Corrigi determinadas atitudes, que entendi não fazerem bem, e outras que me fazem falta, o que obviamente, não implicou a mudança da minha essência, mas que me ajudou a ampliar ainda mais a visão do Mundo.
Planos nãp me faltam, os sonhos aparecem em cada momento, os projectos são vistos, revistos e realizados, mas sem nunca esquecer, que o mais importante en cada um deles, é o crescimento humano que me proporcionam, o quanto me aproximam mais das pessoas.
Hoje o que mais quero, é continuar a sentir a vida de forma serena, simples, natural e ao mesmo tempo desafiadora, motivadora e repleta de oprtunidades novas. Quero ter a força para transpor obstáculos e seguir pelo caminho que escolhi, com a certeza de que ele levar-me-á
a sentir as emoções que desejo, e a realizar os sonhos que ainda pretendo realizar.
HOJE EU QUERO, SIMPLESMENTE VIVER.
NO DIA EM QUE...
No dia em que decidi não mais procurar as razões das minhas dores, comecei a perceber melhor, o quanto sou feliz. No dia em que não permiti ser tão ansioso,não procurar a perfeição em mi nem nos outros, não questionar em demasia os "porquês", passei a sentir com mais intensidade, as pequenas coisas, que fazem da vida, algo de especial e único. Quando dei oportunidade a que os meus sentimentos fluissem naturalmente, bem como os dos outros, sem fazer comparações, passei a sentir-me mais leve e equilibrado, mais natural.
Todavia, para que isso fosse possível, tive que olhar muito bem para dentro de mim e encontrar a pessoa que eu desejava, deixando de lado o egoísmo de sentir que a vida me era devedora, de pensar que as pessoas não entendiam a dimensão do meu afeto, e óbviamente
aprendi que o afeto não tem medida.
Cada um sente e demonstra à sua maneira, e essa compreensão do outro é que faz com que as relações se tornem cada vez melhores e mais intensas, tal com é a falta dela, que afasta e destrói qualquer relacionamento.
Hoje preocupo-me mais em pensar no que me faz falta, e mais em perceber aquilo que tenho. Já não tento prever o que eventualmente poderá chegar, e sim em resolver os problemas que tenho, o que indubitávelmente me torna mais realista.
(Continua)
Todavia, para que isso fosse possível, tive que olhar muito bem para dentro de mim e encontrar a pessoa que eu desejava, deixando de lado o egoísmo de sentir que a vida me era devedora, de pensar que as pessoas não entendiam a dimensão do meu afeto, e óbviamente
aprendi que o afeto não tem medida.
Cada um sente e demonstra à sua maneira, e essa compreensão do outro é que faz com que as relações se tornem cada vez melhores e mais intensas, tal com é a falta dela, que afasta e destrói qualquer relacionamento.
Hoje preocupo-me mais em pensar no que me faz falta, e mais em perceber aquilo que tenho. Já não tento prever o que eventualmente poderá chegar, e sim em resolver os problemas que tenho, o que indubitávelmente me torna mais realista.
(Continua)
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
domingo, 7 de fevereiro de 2010
OS EFEITOS DO 25 DE ABRIL (continuação)
........ Volto novamente à palavra RETORNADO, apenas para dizer, que o responsável pela
criação dessa palavra, foi do Governo Português na altura, quando criou o Instituto de
Apoio ao Retorno de Nacionais~(IARN).
Foi portanto o IARN que após a minha chegada a Portugal, me alojou no Hotel
Atlântico onde se encontrava a minha mulher e os meus filhos.Os primeiro dias de permanência
nesse hotel foram de familiarização de horários, hábitos e práticas habituais e naturalmente a tentativa de encontrar alguém de Benguela ou do Lobito.Infelizmente no meio
de tanta gente ali alojada, não havia ninguém daquela zona.Depois já um pouco mais ambientado, comecei a ir para Lisboa, mais própriamente para a Cova da Moura (perto da Basílica da Estrela)onde funcionava o Serviço Central do IARN, para tentar receber mais
apoio face ao meu agregado familiar,legalização de papelada e tentativa de encontrar emprego
rápidamente.Hoje, vista no tempo, o que por lá se viveu foram situações indiscritiveis de
angustia, de incerteza e sobretudo de muita falta de respeito e de humanidade.Era uma tarefa
que se tornava extremamente difícil pois para conseguirmos ser atendidos, era necessário,por
lá permanecermos uma noite a espera de sermos recebidos no dia seguinte.Estavamos em pleno
Inverno e durante a noite tinhamos que acender fogueiras para nos protegermos do frio. Falávamos a noite inteira de tudo quanto nos tina acontecido, daquilo que estavamos a passar,da nossa terra, e era isso que nos mantinha inabaláveis, pois todos nós sentiamos a
razão do nosso lado.Mas apesar disso sempre tivemos uma postura digna e soubemos também aí
dar uma lição de civismo e bom comportamento. Tal como eu, milhares de outras pesooas, nunca
recebemos qualquer resposta às nossas solicitações.
Entretanto, junto da comissão de Retornado Bancários, costituida pelos primeiros Bancários chegados a Portugal, entreguei a documentação comprovativa de Empregado do Banco
Comercial de Angola, e aguardei pela minha reeintegração.
Sobre o tempo de permanência no Hotel Atlântico, não tenho boas recordações, pois foi aí
que sofri um dos piores golpes da minha vida:a separação da minha mulher e filhos.Tive que
aceitar a situação e no dia seguinte, estava alojado noutro quarto do hotel.Tentava a todo
o custo sobreviver a mais este desaire na minha vida pois acabara de perder o que me restava. Perdera tudo, mas felizmente não conseguiramn tirar-me a fé a confiança e a deter-
minação.Pasado cerca de um mês, abandoneio hotel e fui viver para casa de familiares do
meu irmão mais novo, no Sobrainho dos Gaios, aldeia perto de Castelo Branco, aldeia muito
pequena escondida no fundo de uma serra. (continua em breve)
........ Volto novamente à palavra RETORNADO, apenas para dizer, que o responsável pela
criação dessa palavra, foi do Governo Português na altura, quando criou o Instituto de
Apoio ao Retorno de Nacionais~(IARN).
Foi portanto o IARN que após a minha chegada a Portugal, me alojou no Hotel
Atlântico onde se encontrava a minha mulher e os meus filhos.Os primeiro dias de permanência
nesse hotel foram de familiarização de horários, hábitos e práticas habituais e naturalmente a tentativa de encontrar alguém de Benguela ou do Lobito.Infelizmente no meio
de tanta gente ali alojada, não havia ninguém daquela zona.Depois já um pouco mais ambientado, comecei a ir para Lisboa, mais própriamente para a Cova da Moura (perto da Basílica da Estrela)onde funcionava o Serviço Central do IARN, para tentar receber mais
apoio face ao meu agregado familiar,legalização de papelada e tentativa de encontrar emprego
rápidamente.Hoje, vista no tempo, o que por lá se viveu foram situações indiscritiveis de
angustia, de incerteza e sobretudo de muita falta de respeito e de humanidade.Era uma tarefa
que se tornava extremamente difícil pois para conseguirmos ser atendidos, era necessário,por
lá permanecermos uma noite a espera de sermos recebidos no dia seguinte.Estavamos em pleno
Inverno e durante a noite tinhamos que acender fogueiras para nos protegermos do frio. Falávamos a noite inteira de tudo quanto nos tina acontecido, daquilo que estavamos a passar,da nossa terra, e era isso que nos mantinha inabaláveis, pois todos nós sentiamos a
razão do nosso lado.Mas apesar disso sempre tivemos uma postura digna e soubemos também aí
dar uma lição de civismo e bom comportamento. Tal como eu, milhares de outras pesooas, nunca
recebemos qualquer resposta às nossas solicitações.
Entretanto, junto da comissão de Retornado Bancários, costituida pelos primeiros Bancários chegados a Portugal, entreguei a documentação comprovativa de Empregado do Banco
Comercial de Angola, e aguardei pela minha reeintegração.
Sobre o tempo de permanência no Hotel Atlântico, não tenho boas recordações, pois foi aí
que sofri um dos piores golpes da minha vida:a separação da minha mulher e filhos.Tive que
aceitar a situação e no dia seguinte, estava alojado noutro quarto do hotel.Tentava a todo
o custo sobreviver a mais este desaire na minha vida pois acabara de perder o que me restava. Perdera tudo, mas felizmente não conseguiramn tirar-me a fé a confiança e a deter-
minação.Pasado cerca de um mês, abandoneio hotel e fui viver para casa de familiares do
meu irmão mais novo, no Sobrainho dos Gaios, aldeia perto de Castelo Branco, aldeia muito
pequena escondida no fundo de uma serra. (continua em breve)
sábado, 6 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
OS EFEITOS DO 25 DE ABRIL (continuação)
......... A ordem e a disciplina era coisa que práticamente não existia, a falta de respeito
e a agressividade para com a etnia branca estava presente em cada momento, o receio pela
integridade física era uma constante,fruto do tiroteio que diariamente assolava as nossas
vidas. O caos generalizou-se ao ponto de começar uma fuga generalizada para Portugal e outras paragens.Não fiquei nem podia ficar indiferente às consequências que isso estava a
provocar na minha família pois a isso era obrigada a assistir no dia a dia.Foi assim que passado pouco tempo do nosso regresso a Angola, que a minha mulher e filhos rumaram a Portugal.Sendo eu Angolano de nascença, de corpo, alma, coração e convicção, resolvi permanecer na minha terra, esperando sempre que no futuro próximo, imperasse o bom senso, a compreensão e a paz, para que todos em conjunto aproveiássemos o que nos era dado por direito, a fim de consolidarmos uma Angola cada vez maior em todos os sentidos.
Puro engano e ilusão. A guerra civil estendeu-se por todo o País, com focos arrasadores no Norte e Sul.A economia perdeu-se,, as casas, estradas, pontes e infraestruturas foram práti-
camente destruidas. Iniciou-se então um período de grande instabilidade a todos os níveis pois ninguém controlava nada nem ninguém. As reduzidas forças policiais e militares, não conseguiam controlar as piores situaçãoes, por, obviamente não estarem interessadas. Além
disso toto o controlo nos seu exyerior já era exercido pelos tres movimenros de libertação,
normalmente com deficiências enormes, e muita prepotência. As forças Portuguesas eram então
muito poucas para aguentar por muito mais tempo, os desmandos e a desorganização, que envol-
viam os postos superiores. Quase ninguém sabia a quem obedecer, e nem o faziam os que sabiam,por conveniência ou interesses particulares, ou por não serem capazes. Todo o control
de entrada e saida de Benguela eram feitos pelos movimentos de libertação, mas que até entre
si, não se respeitavam nem entendiam, procurando cada um tirar o maior proveito e as mais
imediatas vantagens.Assim eram cometidos descatos de toda a ordem e pelos mais banais motivos, sendo que na maioria das vezes incidiam mais sobre os Angolanos brancos por as-
cendência. Tudo servia de pretexto para desancar, para mostrar quem tinha a força, o poder de dar ordens, ou simplesmente de "malhar" no desprotegido, chegando mesmo ao ponto de em alguns casos terem sido mortos, e o que era pior, feito perante a passividade e conivência das autoridades de ocasião.As promessas tinham sido muitas e irreais, e portanto já não era fácil voltar atrás.Todos se julgavam com direitos ilimitados, sem respeitarem os dos outros,ainda que os reconhecessem, e só imperava a lei da força e da perpotência.Os asaltos às residências eram constante com o intuito do saque e desmantelamento. Apesar de tudo isto
e embora consciente da gravidade que representava ficar, por lá continuei, à espera de melhores dias e por acreditar que apesar de tudo ainda era possível.Sofri perseguições injustificadas, ameaçado com armas no meu local de trabalho, preso por recusar entregar dinheiro do Banco à Unita e solto dois dias após intenso interrogatório.Passei fome e frio,
a minha casa controlada e vistoriada diariamente. Quando os desmandos da Unita se tornaram
insuportaveis devido ao apoio das tropas Sul Africanas, resolvia deixar Benguela.
......... A ordem e a disciplina era coisa que práticamente não existia, a falta de respeito
e a agressividade para com a etnia branca estava presente em cada momento, o receio pela
integridade física era uma constante,fruto do tiroteio que diariamente assolava as nossas
vidas. O caos generalizou-se ao ponto de começar uma fuga generalizada para Portugal e outras paragens.Não fiquei nem podia ficar indiferente às consequências que isso estava a
provocar na minha família pois a isso era obrigada a assistir no dia a dia.Foi assim que passado pouco tempo do nosso regresso a Angola, que a minha mulher e filhos rumaram a Portugal.Sendo eu Angolano de nascença, de corpo, alma, coração e convicção, resolvi permanecer na minha terra, esperando sempre que no futuro próximo, imperasse o bom senso, a compreensão e a paz, para que todos em conjunto aproveiássemos o que nos era dado por direito, a fim de consolidarmos uma Angola cada vez maior em todos os sentidos.
Puro engano e ilusão. A guerra civil estendeu-se por todo o País, com focos arrasadores no Norte e Sul.A economia perdeu-se,, as casas, estradas, pontes e infraestruturas foram práti-
camente destruidas. Iniciou-se então um período de grande instabilidade a todos os níveis pois ninguém controlava nada nem ninguém. As reduzidas forças policiais e militares, não conseguiam controlar as piores situaçãoes, por, obviamente não estarem interessadas. Além
disso toto o controlo nos seu exyerior já era exercido pelos tres movimenros de libertação,
normalmente com deficiências enormes, e muita prepotência. As forças Portuguesas eram então
muito poucas para aguentar por muito mais tempo, os desmandos e a desorganização, que envol-
viam os postos superiores. Quase ninguém sabia a quem obedecer, e nem o faziam os que sabiam,por conveniência ou interesses particulares, ou por não serem capazes. Todo o control
de entrada e saida de Benguela eram feitos pelos movimentos de libertação, mas que até entre
si, não se respeitavam nem entendiam, procurando cada um tirar o maior proveito e as mais
imediatas vantagens.Assim eram cometidos descatos de toda a ordem e pelos mais banais motivos, sendo que na maioria das vezes incidiam mais sobre os Angolanos brancos por as-
cendência. Tudo servia de pretexto para desancar, para mostrar quem tinha a força, o poder de dar ordens, ou simplesmente de "malhar" no desprotegido, chegando mesmo ao ponto de em alguns casos terem sido mortos, e o que era pior, feito perante a passividade e conivência das autoridades de ocasião.As promessas tinham sido muitas e irreais, e portanto já não era fácil voltar atrás.Todos se julgavam com direitos ilimitados, sem respeitarem os dos outros,ainda que os reconhecessem, e só imperava a lei da força e da perpotência.Os asaltos às residências eram constante com o intuito do saque e desmantelamento. Apesar de tudo isto
e embora consciente da gravidade que representava ficar, por lá continuei, à espera de melhores dias e por acreditar que apesar de tudo ainda era possível.Sofri perseguições injustificadas, ameaçado com armas no meu local de trabalho, preso por recusar entregar dinheiro do Banco à Unita e solto dois dias após intenso interrogatório.Passei fome e frio,
a minha casa controlada e vistoriada diariamente. Quando os desmandos da Unita se tornaram
insuportaveis devido ao apoio das tropas Sul Africanas, resolvia deixar Benguela.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
OS EFEITOS DO 25 DE ABRIL
.......... O 25 de Abril surpreendeu tudo e quase todos em Angola.Em Benguela no ano de 1974, tal como ne maior parte de outras zonas Angolanas, a guerra era uma coisa longínqua,
que a cosmopolita vida na cidade, tornava ainda mais remota. Como as pessoas estavam longe
dos principais focos de guerra, adormeciam um pouco em relação à situação que se vivia.
Poucos dias após o 25 de Abril viajei para Lisboa com a minha mulher e filhos para gozar 4 meses de férias ( a então chamada licença graciosa). Vivia-se em Lisboa um clima de grande
euforia, mas perante tanta alegria e o que ouvia na imprensa escrita e falada, obrigaram-me a reflectir mais profundamente sobre as possíveis consequências desse golpe, e posso hoje, sem qualquer sombra de dúvida, que teve uma enorme influência no desenrolar dos aconteci-
mentos nas então províncias ultramarinas. A enorme agitação, tornava impossível uma política
coerente, pois não existiam instruções precisas por parte do poder instituido, relativamente
aos processos de independência. Penso que se nessa altura tivesse havido um mínimo de capa-
cidade e bom senso de orientação, teria exitido força para impor, não uma alteração do esquema (a independência era um caso definido), mas alguma ordem como as coisas iriam acom-
tecer. As forças armadas não estavanm dispostas a bater-se, a partir do momento em que souberam que a independência era inevitável, o que levou práticamente à desmobilização da tropa, não obstante a situação estar longe de ser dominada pelos movimentos de libertação
Infelizmente não sucedeu e deixaram esses movimentos de libertação, entrar não como forças
politicas, mas sim como verdadeiros exercitosde consequências desastrosas, uma vez que pouco
tempo depois, sobretudo em Angola se desencandeou uma guerra civil, que para além de nefasta,trouxe ao povo Angolano, mais danos humanos e materiais do que a guerra colonial.
Regressei a Angola coma a minha família em Setembro e encontramos um ambiente totalmente
diferente. (segue em breve)
.......... O 25 de Abril surpreendeu tudo e quase todos em Angola.Em Benguela no ano de 1974, tal como ne maior parte de outras zonas Angolanas, a guerra era uma coisa longínqua,
que a cosmopolita vida na cidade, tornava ainda mais remota. Como as pessoas estavam longe
dos principais focos de guerra, adormeciam um pouco em relação à situação que se vivia.
Poucos dias após o 25 de Abril viajei para Lisboa com a minha mulher e filhos para gozar 4 meses de férias ( a então chamada licença graciosa). Vivia-se em Lisboa um clima de grande
euforia, mas perante tanta alegria e o que ouvia na imprensa escrita e falada, obrigaram-me a reflectir mais profundamente sobre as possíveis consequências desse golpe, e posso hoje, sem qualquer sombra de dúvida, que teve uma enorme influência no desenrolar dos aconteci-
mentos nas então províncias ultramarinas. A enorme agitação, tornava impossível uma política
coerente, pois não existiam instruções precisas por parte do poder instituido, relativamente
aos processos de independência. Penso que se nessa altura tivesse havido um mínimo de capa-
cidade e bom senso de orientação, teria exitido força para impor, não uma alteração do esquema (a independência era um caso definido), mas alguma ordem como as coisas iriam acom-
tecer. As forças armadas não estavanm dispostas a bater-se, a partir do momento em que souberam que a independência era inevitável, o que levou práticamente à desmobilização da tropa, não obstante a situação estar longe de ser dominada pelos movimentos de libertação
Infelizmente não sucedeu e deixaram esses movimentos de libertação, entrar não como forças
politicas, mas sim como verdadeiros exercitosde consequências desastrosas, uma vez que pouco
tempo depois, sobretudo em Angola se desencandeou uma guerra civil, que para além de nefasta,trouxe ao povo Angolano, mais danos humanos e materiais do que a guerra colonial.
Regressei a Angola coma a minha família em Setembro e encontramos um ambiente totalmente
diferente. (segue em breve)
AS COISAS QUE A VIDA ME ENSINOU
....... Na vida aprendi que viver é ser livre, que é necessário ter amigos, que lutar é
manter-se vivo, que para ser feliz basta querer, que o tempo, magoa, que cura e que passa.
Aptrendi ainda que a decepção não mata, que hoje é o reflexo de ontem, que podemos chorar
sem derramar lágrimas, que a dor fortalece, que sonhar não é fantasiar, que para sorrir
tenho que fazer alguém sorrir, que a beleza não é o que vemos, mas sim no que sentimos,
que o valor está na força da conquista, que fazer é melhor que falar, que viver é aprender
com os erros.Aprendi também que na vida tudo depende da vontade, e que o melhor é sermos
nós mesmos sem fingimentos e hipócrisias e sobretrudo que o SEGREDO DA VIDA É VIVER.
....... Na vida aprendi que viver é ser livre, que é necessário ter amigos, que lutar é
manter-se vivo, que para ser feliz basta querer, que o tempo, magoa, que cura e que passa.
Aptrendi ainda que a decepção não mata, que hoje é o reflexo de ontem, que podemos chorar
sem derramar lágrimas, que a dor fortalece, que sonhar não é fantasiar, que para sorrir
tenho que fazer alguém sorrir, que a beleza não é o que vemos, mas sim no que sentimos,
que o valor está na força da conquista, que fazer é melhor que falar, que viver é aprender
com os erros.Aprendi também que na vida tudo depende da vontade, e que o melhor é sermos
nós mesmos sem fingimentos e hipócrisias e sobretrudo que o SEGREDO DA VIDA É VIVER.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
..... O caminho da vida pode ser o da liberdade, da beleza e do amor.
Contudo extraviamo-nos.
A cobiça envenenou a alma dos homens e tem-nos feito caminhar, para morticínios e miséria.Criámos a época da velocidade, mas sentimo-nos presos por ela. A maquina que produz abundância, vai deixando-nos na penúria.Os nossos conhecimentos fizeram-nos cépticos e a nossa inteligência, empedernidos e cruéis.Pensamos em demasia, e sentimos
bem pouco.
Mais do que a máquina, precisamos de humanidade, mais do que inteligência, precisamos
de solidariedade , compreensão e amor.
Sem estas virtudes a vida será de violência e tudo estará perdidoi.
.......... SE FOR PARA ENGANAR, QUE SEJA O ESTÕMAGO
.......... SE FOR PARA CHORAR, QUE SEJA DE ALEGRIA
.......... SE FOR PARA PERDER, QUE SEJA O MEDO
.......... SE EXISTIR GUERRA, QUE SEJA DE TRAVESSEIROS
.......... SE EXISTIR FOME, QUE SEJA DE AMOR
.......... SE FOR PARA SER FELIZ, QUE SEJA O TEMPO TODO
Contudo extraviamo-nos.
A cobiça envenenou a alma dos homens e tem-nos feito caminhar, para morticínios e miséria.Criámos a época da velocidade, mas sentimo-nos presos por ela. A maquina que produz abundância, vai deixando-nos na penúria.Os nossos conhecimentos fizeram-nos cépticos e a nossa inteligência, empedernidos e cruéis.Pensamos em demasia, e sentimos
bem pouco.
Mais do que a máquina, precisamos de humanidade, mais do que inteligência, precisamos
de solidariedade , compreensão e amor.
Sem estas virtudes a vida será de violência e tudo estará perdidoi.
.......... SE FOR PARA ENGANAR, QUE SEJA O ESTÕMAGO
.......... SE FOR PARA CHORAR, QUE SEJA DE ALEGRIA
.......... SE FOR PARA PERDER, QUE SEJA O MEDO
.......... SE EXISTIR GUERRA, QUE SEJA DE TRAVESSEIROS
.......... SE EXISTIR FOME, QUE SEJA DE AMOR
.......... SE FOR PARA SER FELIZ, QUE SEJA O TEMPO TODO
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