quarta-feira, 14 de abril de 2010

MEMÓRIAS

... Hoje decidi voltar às minhas memórias,e como tal abri o LIVRO DA MINHA VIDA, para
procurar algo que de certa maneira me proporcionasse um pouco mais de alegria. Curiosamente ao abrir o livro apareceu-me a página onde descrevo o início da minha vida em Lisboa, no distante ano de 1976.

........ "Novos horizontes começaram a aparecer.Era a luz ao fundo do túnel.È necessario ser persistente e acreditar que tudo depende da nossa capacidade.Tinha que continuar a apostar em mim,e confiar na minha força para lutar, depois de tantos e desgastantes contratempos.A vida oferece-nos desafios constantes, e é preciso sabermos enfrentá-los pra sairmos vencedores, pois se os horizontes existem é porque existe uma meta para ser alcançada. Para quem vem viver pela primeira vez numa cidade
como Lisboa, os riscos são muitos, mas se soubesse aproveitar a oportunidade para
melhrar a vida, e conhecer outras possibilidades, poderia voltar a estar bem e ser feliz.

Chegueia Lisboa no dia 14 de Setembro de 1976 por volta do meio dia, e recordo que a minha bagagem era constituida, por uma pequena mala, que continha,3 pares de calças,
4 camisas,6 pares de peugas, 8 pares de meias e lenços, para além dos objectos de higiene pessoal. Na carteira tinha os documentos de identificação, a carta do Banco
Tota & Açores a solicitar a minha apresentação, e quinhentos escudos que a minha mãe
me tinha dado. Isto era tudo o que possuía, ao fim de trinta e seis anos.

A minha primeira preocupação foi naturalmente encontrar alojamento para pernoitar,a um preço barato. Depois de muito procurar, enconteri um quarto numa pensão da rua Luciano Cordeiro, asseado e bem arejado e pelo qual paguei 100 escudos.Para esse dia
o problema estava resolvido, mas não podia de forma alguma continuar lá por muito mais tempo, pois era incomportável.Na minha cabeça fervilhava um turbilhão de pensamentos, para os quais não conseguia vislumbrar resposta adequada. Resolvi sair
e dar uma volta para espairecer.Cerca das 19 horas estava exausto e faminto, pois
desde a manhã que nada mais tinha comido.Numa tasca, enganei a fome comemdo uma sopa
e uma carcaça, e fui para o quarto descansar.Estava em pânico, como resultado imediato do medo por não saber como resolver o problema, e isso tinha surgido de uma forma súbita, sem aviso prévio.

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