quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

De volta.....
Quando o navio UCRANIA (Russo) deixava para trás a Baía de Luanda, tentei a rodo o custo
controlar a emoção. Em Angola deixava um pedaço de terra e de vida. Sózinho ia enfrentar
o desconhecido e uma terra que não era minha. Não tive outra solução, senão abandonar
tudo: casa, emprego, haveres,e amigos de uma vida.
à chegada a Lisboa passei a ser mais um "retornado". Èramos milhares e milhares vertendo
lágrimas de dor, saudade, e de sonhos de uma vida perdida. Foi o preço da opressão e da
liberdade. Mas o nosso calvário não se ficou por aí, pois continuou no acolhimento de
que fomos alvos,nos títulos de "honra" com que fomos rotulados: FASCISTAS, COLONIZADORES
RETORNADOS.Este último foi o que mais tempo perdurou, embora ainda nos tenham chamado
FAMIGERADOS RETORNADOS.No mercado de trabalho foi uma desgraça pois fomos vítimas de um
egoismo tremendo e doentio de uma discrimunação indiscritivel. Tentar afirmar que os nascidos em Àfrica e de rigem Portuguesa, eram na generalidade amigos dos Africanos, e que os respeitavam, era tempo perdido,pois todos estes argumentos não interessavam e ponto final.
Não tivenos nem temos que nos envergonhar. Somos sim desalojados, retornados ou refugiados, de cabeça erguida, que nos sujeitamos às piores humilhações e privações, que as soubemos en-
frentar e derrubar, dando um exemplo de como se passa dessas situaçóes, para outras bem
mais relevantes.
Vergonha na cara deveriam ter tido certos governantes e militares e que infelizmente
ainda hoje por aí passeiam, fardados ou à paisana, sem nunca terem sido julgados, nem
prestado contas do negócio do Alvor, ou em escuras negociações fora do País. Vergonha deviam ter aqueles que nos receberam de nariz espetado, com receio de lugares, de partilhar a sardinha e a broa que os alimentou durante dezenas de anos. Vergonha deveriam ter os que depe
depressam iniciaram uma autêntica exploração, aproveitando-se da necessidade e urgència
de sobrevivência dos retornados. Fomos o instrumento para então, salvar muitas empresas da
falência a que estavam votadas sendo a indústria Hoteleira o caso mais flagrante. Fomos
esprimidos nas nossas parcas economias por muitos oportunistas. Fomos negociados como ma-
téria prima para outros Países, fomos apelidados de exploradores, quando afinal a exploração
se dava nop proprio País. Toleramos e sofremos as consequências da guerra colonial,m sendo
esta uma parte da factura que sempre fomos obrigados a pagar. Porque razão temos que ter vergonha.Por todo o lado demonstrámos o poder da nossa iniciativa e execução nas mais variadas actividades com uma espantosa capacidade de adaptação. Já demonstramos o que somos e valemos, mas ainda temos uma palavra a dizer. É CASO PARA TERMOS VERGONHA?

1 comentário:

  1. Eu era miúdo e pouco percebia da realidade mas sempre percebi que os retornados eram mal vistos e por isso raramente tocava no assunto... Custava-me sentir-se assim condenado... de forma tão injusta... e isto sentia desde os 6 anos, pelo menos. Graças a Deus, tudo mudou!

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