............. Volto hoje ás minhas memórias, para recoradar.
Recordar significa, passar de novo pelo coração, e quem não fizer isto, não conhece
o que o sustenta como uma pessoa, e vive uma vida sem história.A vida é feita de memória.
Recordar é viver e por isso volto a mergulhar no passado, para recordar o dia em que
no distante mês de Novembro de 1975, mas que me parce tão próximo, deixei Angola.
No porto do Lobito, as pessoas surgiam do nada, umas atrás das outras, numa correria
louca,com o semblante carregado de pânico, tentando a todo o custo embarcarem no
"CONGO" o único navio Português, atracado ao cais. Ao longe, para além do som, conse-
guiamos vislumbrar os clarões provocados pelas armas pesadas da Unita, que nessa
altura fustigavam Benguela.O medo e o propósito de todos era só um: sair dali o
mais rápido possível, para pelo menos por a salvo a integridade fìsica.
Já a bordo do navio com destino a Luanda, sentia dentro de mim uma raiva que ficou
até ao fim. Queria morrer com essa raiva, mas a morte, que até há bem pouco tempo
parecia estar tão perto começou a afastar-se pouco a pouco, dando lugar a uma
semiconsciência que permaneceu até à nossa chegada a Luanda.
Sem comentários:
Enviar um comentário