SER$VIÇO MILITASR - de Benguela para Nova Lisboa- Escola Ap. Militar
...... Fui um dos milhares que para o serviço militar fui empurrado, e digo empurrado porque a isso fui obrigado sem escapatória, numa altura em procurava dar
um, ruimo definido `a minhja vida. Cortaram as pernas aos meus sonhos e à minha juventude. Que fiz de errado? Nada. Simplesmente a isso fui obrigado pela estupidez
e prepotência do sistema vigente, que se baseava no conceito de que a guerra era sustentada pelo princípio político da defesa daquilo que era considerado território
nacional, e ainda no conceito de Nação pluricontinental e multiracial.Hoje, tal como
eu, os protagonistas desse tempo estamos na casa dos 60/70 anos, cumprimos o serviço militar que nos impuseram, fizemos a guerra que nunca quisemos,
morreram milhares, sepultados hoje em dia no silêncio e na vergonha.O nosso mal foi combater e morrer, foi obedecer, foi dizer sim a uma data de poltrões que só sabiam sacudir a água do capote.O que fizeram por nós?Absolutamente nada.O que demos nós?
Tudo. Resta-nos apenas recordar, mas não desapareceram nem as memórias nem as sequelas que ainda perturbam com mais ou menos gravidade, o que vivemos na guerra.
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