domingo, 7 de fevereiro de 2010

OS EFEITOS DO 25 DE ABRIL (continuação)
........ Volto novamente à palavra RETORNADO, apenas para dizer, que o responsável pela
criação dessa palavra, foi do Governo Português na altura, quando criou o Instituto de
Apoio ao Retorno de Nacionais~(IARN).
Foi portanto o IARN que após a minha chegada a Portugal, me alojou no Hotel
Atlântico onde se encontrava a minha mulher e os meus filhos.Os primeiro dias de permanência
nesse hotel foram de familiarização de horários, hábitos e práticas habituais e naturalmente a tentativa de encontrar alguém de Benguela ou do Lobito.Infelizmente no meio
de tanta gente ali alojada, não havia ninguém daquela zona.Depois já um pouco mais ambientado, comecei a ir para Lisboa, mais própriamente para a Cova da Moura (perto da Basílica da Estrela)onde funcionava o Serviço Central do IARN, para tentar receber mais
apoio face ao meu agregado familiar,legalização de papelada e tentativa de encontrar emprego
rápidamente.Hoje, vista no tempo, o que por lá se viveu foram situações indiscritiveis de
angustia, de incerteza e sobretudo de muita falta de respeito e de humanidade.Era uma tarefa
que se tornava extremamente difícil pois para conseguirmos ser atendidos, era necessário,por
lá permanecermos uma noite a espera de sermos recebidos no dia seguinte.Estavamos em pleno
Inverno e durante a noite tinhamos que acender fogueiras para nos protegermos do frio. Falávamos a noite inteira de tudo quanto nos tina acontecido, daquilo que estavamos a passar,da nossa terra, e era isso que nos mantinha inabaláveis, pois todos nós sentiamos a
razão do nosso lado.Mas apesar disso sempre tivemos uma postura digna e soubemos também aí
dar uma lição de civismo e bom comportamento. Tal como eu, milhares de outras pesooas, nunca
recebemos qualquer resposta às nossas solicitações.
Entretanto, junto da comissão de Retornado Bancários, costituida pelos primeiros Bancários chegados a Portugal, entreguei a documentação comprovativa de Empregado do Banco
Comercial de Angola, e aguardei pela minha reeintegração.
Sobre o tempo de permanência no Hotel Atlântico, não tenho boas recordações, pois foi aí
que sofri um dos piores golpes da minha vida:a separação da minha mulher e filhos.Tive que
aceitar a situação e no dia seguinte, estava alojado noutro quarto do hotel.Tentava a todo
o custo sobreviver a mais este desaire na minha vida pois acabara de perder o que me restava. Perdera tudo, mas felizmente não conseguiramn tirar-me a fé a confiança e a deter-
minação.Pasado cerca de um mês, abandoneio hotel e fui viver para casa de familiares do
meu irmão mais novo, no Sobrainho dos Gaios, aldeia perto de Castelo Branco, aldeia muito
pequena escondida no fundo de uma serra. (continua em breve)

Sem comentários:

Enviar um comentário