O falecimento do meu filho Eduardo Jorge
.... Não vou escrever como me senti, ao receber tão dolorosa e triste notícia, não vou
escrever sobre o acidente que estupidamente ceifou a sua vida, e não vou de forma alguma
culpabilizar ninguém. Tudo o que sofri e senti, não pode ser, aferido ou avaliado por quem quer que seja, e portanto será sempre algo que só eu posso fazer e assim permanecerá no meu coração e no meu consciente para sempre.Não deveria escrever sobre este assunto. Deveria, por respeito, silenciar-me, mas não o perdi para a violência, para uma doença, falta de lucidez, ou ainda para a negligência.O fortuito no caso da perda do meu querido filho,
afectou-me da maneira mais terrível, e colocou diante de todos nós, amigos, conhecidos e familiares, uma situação ainda mais inexplicável:ele, num dado momento, fechou os olhos e deixou de viver.
O tempo passa e com ele as coisas também passam, outras permanecem, mas nunca da mesma forma.O tempo passa, a vida muda,tudo muda.O lugar já não é o mesmo, as pessoas não são
as mesmas, os sentimentos não são iguais, a situação é outra, pois esse é afinal, o propósito da vida.
Aceitar as circunstâncias da vida que não podemos mudar, traz enorma alívio e a paz de espírito que tanto se procura. JESUS, ajuda-nos sempre a encontrar um novo caminho, pois esse poder estará sempre connosco,e quando algo está mal nas nossas vidas, podemos sempre lançar mão dessa força maior para nos ajudar.O seu poder superior está tão perto de nós, quanto a nossa respiração e portanto, ter consciêncvia da sua presença, fortalece-nos a cada
momento.
Num gesto amigo e carinhoso, o meu filho mais velho, levou-me para a´sua casa na Namíbia
na tentativa de minorar um pouco o meu sofrimento. Ao entardecer, sentava-me num cadeirão
junto à piscina, a olhar o céu acima de Windhoek, e conseguia sentir toda aquela terra rude,
derramando,numa única, inacreditável vastidão, até ao horizonte e todas as pessoas a
sonharem naquela imensidão. Ali, sabia que tal como eu, muita gente, chorava na terra onde
nos deixam chorar.
A estrela do entardecer ia esmorecendo, e irradiava a sua pálida cintilância sobre a terra, reluzindo pela última vez, antes da chegada completa da noite. E era aí e nessa hora que
mais sentia saudades, tantas que ninguém pode imaginar. Submerso em pensamentos, pensava em nada, nesse nada que era a minha vida, e então sinto saudades, do que era a minha vida, um
nada diferente, desta que vivo agora, e pergunto porque tantas asudades assim: de tudo e de nada, francamente não sei, mas a verdade eé que vivo assim.
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