segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

UM CONTO

.....O sol brilhou forte e, Eduardo estendeu as suas pernas. O tempo já lhe trouxera
marcas, e o contemplar da luz reflectida nas poças de água, davam-lhe satisfação.Snetado no seu "banco", contemplava o correr algre das crianças pela relva so jardim,os seus longos cabelos, esvoaçando ao vento, como que dizendo:está na hora.
Ao lado do banco, uma folha de papel meio rasgada, anunciava:concurso de contos.
Com as mãos trémulas,Eduardo pegou na folha e sorriu às crianças... "Era uma vez"...
Engraçaso-pensou Eduardo-quase todos os contos começam com esta frase! Um sorriso limpo, emoldorou por instantes a sua face,com a barba por fazer.Ainda se lembrava dos compassos da sua juventude, agarrado ás forças da sua raiva, batendo forte com a enxada, na terra queimada pelo Sol. Sim, também se lembrava, do ritmo alegre dos bailes, onde todos os sábados, na velha escola da aldeia, o seu coração batia tão forte, tal e qual p coração de um cavalo, correndo louco pelos campos.
Eduardo procurou nos bolsos do casaco coçado, a sua ponte de cigarro, acendendo-a
cuidadosamente.
Também fora sonhador. Ainda onte, num emaranhado de papéis amarelecidos pelo tempo, a voz do tempo recordava-lhe, dirigindo-se à sua flor:"dar-te-ei a frescura de uma madrugada, uma corda da minha vida, que te embalará nas noites sem fim, tentando guardar-te do sofrimento e da angústia. Sim a sua flor jazia há muito sob o mármpre frio.Sentiu o cigarro queimar-lhe os lábios e, as suas mãos calejadas, de dedos toscos, atirara-no para longe.
"Afinal
quem sou eu
se contemplo os campos verdes do Além
sentindo morrer
o canto do rouxinol?
Nunca fora poeta, mas a sua alma ditara-lhe a sua dor, no dia em que desapareceu a sua flor.Com gestos lentos, Eduardo retirou a sua carteira e desdobrou cuidadosamente
uma folha de papel e leu:
Que importam os sonhos,
que importam as manhãs
se no obscurantismo de almas
o desespero, a angústia
marcam o compasso da vida
através das noites sem fim?
Ah, sonhos!...
Que me importam sonhos
se caminho por entre ruas sujas,
através de lamúrias de crianças,
prostitutas
e de olhares de velhos,
gastos no fitar da esperança
e contemplar
o amanhecer, doce e meigo
de nossas almas,
e ffinalmente...
Saber sorrir.
Sim, a sua flor deixara-lhe uma linda recordação. Eduardo dobrou a sua folha de papel guardando-a cuidadosamnente. O seu olhar perdeu-se no longínquo e, os seus passos arrastados, ouviram-se desaparecer. O vento lançara a folha da revista, para bem longe, do seu "banco", e no jardim,o correr alegre das crianças pela relva diziam-nos: "ESTÁ NA HORA"

1 comentário:

  1. "...O sol brilhou forte e, Eduardo estendeu as suas pernas. O tempo já lhe trouxera
    marcas, e o contemplar da luz reflectida nas poças de água, davam-lhe satisfação"

    Olá Eduardo.

    Gostei muito...Tirei este excerto do conto como podia ter transcrito muitos outros de que gostei muito.
    Tem muito de vida. De grande cumplicidade com pormenores dos nossos dias, pequenos mas tão significativos no que de mais importante nos aproxima de nós na essência do que verdadeiramente somos...

    Gostei mesmo muito. Obrigado pela partilha.
    Um abraço amigo.

    Dulce

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