......... CONTINUAÇÃO ..........
Antes de ir à memória buscar os factos mais narcantes deste período, vou tentar, se para tanto tiver, parafraseando Camões, engenho e arte,embora resumidamente, o que um jóvem como eu, casado há pouco, aguardando ansiosamente o nascimento do primeiro filho, sentiu desde a primeira hora de permanência na zona de combate.
Antes de se atingir a primeira metade de permanência nessa zona, parecia existir em mim um encolher de ombros, em face do perigo de morte que roçava o pensamento, sem no entanto deixar marca, como um encolher de ombros perante uma situação contra a qual não podia lutar. Alcançada a segunda metade, tudo se transformou, pois o medo aumentou, foram redobrados os cuidados, e despertou mais do que nunca a vointade de sobreviver, pois o sonho de regresso cria raízes profundas no pensamento, e é aqui que normalmente as coisas se complicam e acontecem.
Só queria voltar para casa, para o meu filho, para a minha mulher e para a família e nada mais. Felizmente comsegui com a minha fé em Deus, mas mesmo assim não desapareceram as memórias do que vivi e sofri na guerra.
Não sou, nem nunca fui um herói ou velente. Fui para a guerra porque não tinha alternativa. Por isso é hora de recordar o primeiro episódio vivido nessa zona logo nos primeiros dias. Numa madrugada, quando toda a gente dormia, o aquartelamento foi fortemente atacado, por tiros constantes de metralhadora e canhão sem recuo. Felizmente usaram mal o canhão pois os projecteis limitaram-se a voar por cima do aquartelamento. Naturalmente que acordei assustado. Em caso de ataque o que havia a fazer era simples:vestirmo-nos rápidamente, pegar na G3 e correr para o abrigo mais próximo. Mas o caricato e mais complicado foi vestir as calças. Assim que dava um passo, elas teimavam em cair, isto durante um ou dois minutos, tempo que me pareceu uma eternidade. Por fim lá consegui, e com uma mão a agarrar as calças e a outra a G3, corri para o abrigo.
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