sábado, 13 de março de 2010

UMCONTOPEQUENO

...~Enquanto deambulava pela rua deserta, naquele Domingo, só com os seus
pensamentos dizia: tal é a minha Páscoa. Uma imensa planura vazia, sem cor
nem rosto, nem movomento nem vida, e tinha pena. Pena pela perda, pelo vazio.

Era domingo de Páscoa, Páscoa de séculos, flagrante, mas para ele, mais
abstracta e exterior. Passou à porta silenciosa e fechada de uma igreja e
resolveu entrar.Abriu a porta pesada da Igreja ao frio daquela manhã e de
dentro foi recebido, com surpresa, pelo incenso, os cânticos e a paz de uma comunidade reunida, para a festa da vida e da ressureição.

Quedou-se alguns minutos "espantado"por aquela pureza,saiu,fechou a porta de
volta à luz da manhã da cidade.

Sentia falta nem sabia bem de quê....
TALVEZ DE SE OBRIGAR A POR EM ACTOS, O QUE AINDA LHE RESTAVA DE ESPÍRITO.

3 comentários:

  1. "Abriu a porta pesada da Igreja ao frio daquela manhã e de
    dentro foi recebido, com surpresa, pelo incenso, os cânticos e a paz de uma comunidade reunida, para a festa da vida e da ressureição"

    Eduardo Olá.

    Obrigado por este conto pequeno e tão bonito. Mais do que bonito é a importância de nos permitir uma reflexão neste tempo em que vivemos.

    Porque a verdade é que o sentido da nossa vida de fé é sempre também de esperança. Sentiremos a grandeza da partilha que fizermos e que para sempre ficará em nós, nos nossos corações e estamos sempre em tempo de o implementarmos... e mesmo pensando que é pouco, não nos devemos afrouxar e intimidar. Devemos persistir até porque este será sempre um caminho sem retorno... sempre que nos implicarmos com o melhor de nós. Dar sem esperar retorno trar-nos-á um grande bem estar e breve breve estaremos naturalmente a dar mais.

    E no que li atrás que escreveu Eduardo, também eu tenho muitas saudades da minha infância. Na Páscoa íamos a Fátima, Ourém, a casa dos meus avos maternos. Eu tenho 3 irmãos, duas irmãs e um irmão. E uma família grande de imensos tios e tias e primos, e juntavamo-nos todos. Era uma grande festa com família e amigos. As casas eram sempre caiadas e apanhava-se no campo penso que alecrim para a entrada das casas para a visita do Prior. Hoje ainda se vai fazendo. Era mesmo um dia de grande festa, o domingo de Páscoa. Tenho saudades. Mas tenho sobretudo as recordações maravilhosas e essas serão sempre minhas..que bom..!!

    E este ano sei viverei o domingo de Páscoa com esse mesmo sentir na minha Paróquia de São Julião da Barra. Será de novo um dia de grande festa..!
    E isso dever-se-á e muito ao Seu filho Eduardo, nosso Paróco e tão querido amigo Padre Nuno, que nos dá a todos uma grande lição de vida persistência ímpar numa grande Fé vivida com muita alegria. E quando assim é estamos inquestionávelmente no melhor caminho. Naquele caminho de esperança de que lhe falava...!

    Um abraço.

    Dulce

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  2. Querida amiga Dulce
    Com quase 70 anos, penso naquilo que já vivi, e julgo ter o direito de pensar que a vida já me ensinou tudo ou quase tudo que tinha para ensinar, pois penso ter alcançado a necessária paz de espírito. Não é fácil encontrar a nossa paz, mas o mais importante é tentar saber aquilo que mais nos faz feliz, o que mais nos incomoda, terminar o que não acabamos, dizer aquilo que não foi dito, procurar por quem temos saudades.Mas acredite, continua a não ser fácil, pois tudo depende do que deixamos no passado.
    Não percebo por vezes porque levei tantos anos para compreender que o nosso passado é tão importante como o nosso futuro, quando agora é tão fácil perceber que só entendendo o passado conseguimos melhorar. Um abraço

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  3. "...quando agora é tão fácil perceber que só entendendo o passado conseguimos melhorar"

    Eduardo olá.

    Para mim o que desejo mais mais é viver cada dia o melhor que puder. Penso também no futuro por ter uma filha ainda com 12 anos e por sentir a vida ser cada vez mais imprevisivél. Do passado quero sobretudo as boas recordações pois se algo podia ter feito ou dito e não fiz ou não disse, posso pensá-lo hoje mas só numa perspectiva de defenir se o poderei ainda fazer hoje. Se concluir que não posso, então o melhor é mesmo "fechar essa página" e seguir em frente na certeza de ter aprendido.
    Não será fácil em muitas situações da nossa vida, mas, não obstante, devemos persistir no propósito de o conseguir.

    Viver o presente é que é o mais difícil de conseguir. Eu hoje com 43 anos acho que o consigo mais, por em muitos dos meus dias me sentir muito grata pelo que tenho na vida. Sou hoje uma pessoa mais consistente na minha fé, no que sei acredito. E acredito que não podemos viver sózinhos. Estarmos em silêncio por vezes far-nos-á bem. Mas vivermos isolados não penso que seja mesmo nada bom. E nesta pespectiva devemos darmo-nos, ajudando outras pessoas que precisam. Ainda faço muito pouco. É bem verdade que às vezes um sorriso, uma palavra amiga, um abraço, faz toda a diferença nos nossos dias.
    Eu vou por aí, neste caminho e é simples.
    E muitas vezes sou eu que recebo esse sorriso, essa palavra amiga, esse abraço e que diferença faz no meu dia..!

    E concordo absolutamente consigo Eduardo, em como o passado nos ajuda a perceber quem somos, o que sentimos, hoje no presente.

    Um abraço e desejos de que tenha uma boa semana. Talvez com mais sol que também nos trás uma maior animosidade.

    dulce ac

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